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Chico Xavier pede licença


Tarefeiros da doutrina

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Reproduzimos aqui o artigo intitulado Tarefeiros da doutrina, publicado na coluna dominical "Chico Xavier pede licença" do jornal Diário de S. Paulo, na década de 1970.

Ele apresenta o texto Legendas do obreiro da verdade, ditado a Chico Xavier pelo espírito Emmanuel, que Herculano Pires (com o pseudônimo Irmão Saulo) comenta por meio do seu texto Todos são importantes.

Aproveite e veja também as outras colunas que já estão no ar.


 

TAREFEIROS DA DOUTRINA
Francisco Cândido Xavier

Em nossa reunião eram muitas as considerações em torno dos companheiros encarregados da divulgação do espiritismo. As opiniões eram as mais diversas, quando as tarefas foram iniciadas.

O evangelho segundo o espiritismo nos ofereceu o item 5 do capítulo XX, sobre os tarefeiros da nossa doutrina de amor e luz. E o nosso caro Emmanuel, como sempre sucede, comentou o apontamento em estudo na página Legendas do obreiro da verdade.

 

LEGENDAS DO OBREIRO DA VERDADE
Emmanuel

Compreender que as necessidades e as esperanças dos outros são fundamentalmente iguais às nossas.

Auxiliar sem exigir que o beneficiado nos tome as ideias.

Reconhecer que a Divina Providência possui estradas inúmeras para socorrer as criaturas e iluminá-las.

Aprender a tolerar com paciência as pequenas humilhações, a fim de prestar os grandes testemunhos de sacrifício pessoal que a causa da verdade lhe reclamará possivelmente algum dia.

Esquecer-se pela obra que realiza.

Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica.

Abençoar sem reprovar.

Construir ou reconstruir, sem ofender ou condenar.

Trabalhar sempre sem o propósito de ser ou parecer o maior ou o melhor ante os demais.

Cultivar ilimitadamente a cooperação e a caridade.

Coibir-se de irritação e de azedume.

Agir sem criar problemas.

Observar que sem a disciplina individual no campo do bem, a prática do bem se faz impossível.

Respeitar a personalidade dos companheiros.

Encontrar ocasião para atender à benção da prece.

Deter-se nas qualidades nobres e olvidar as prováveis deficiências do próximo.

Valorizar o esforço alheio.

Nunca perder tempo.

Apagar inimizades ou discórdias através da desculpa fraterna e do serviço constante que devemos uns aos outros.

Criar oportunidades de trabalho para si, ajudando aos outros no sentido de descobrirem as oportunidades de trabalho que digam respeito à capacidade e às possibilidades de realização, conservando em tudo a certeza inalterável de que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus.


TODOS SÃO IMPORTANTES
Irmão Saulo

Somos iguais perante a seara, porque somos todos iguais perante o Senhor da Seara. Deus não faz acepção de pessoas, nem de posições e muito menos de instituições. O item 5 do capítulo XX de O evangelho segundo o espiritismo estabelece esta condição essencial: “Felizes os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse e movidos apenas pela caridade.” Emmanuel conclui a sua mensagem lembrando “que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus”.

Querer que não haja discordâncias entre os que trabalham na divulgação e na sustentação da doutrina seria acalentar quimeras. Cada consciência humana, como ensina Hubert, é um ponto na correnteza da duração. Cada um de nós está colocado num ângulo determinado do eterno fluir da realidade. Cada qual, portanto, tem a sua maneira própria de ver as coisas.

O espiritismo nos ensina que nos completamos uns aos outros pelas nossas diferenças. Mas se diferimos nos acessórios, concordamos sempre no essencial. Por isso mesmo a caridade – que é o amor em ação – deve eliminar as arestas do nosso personalismo, ensinando-nos que todos somos importantes na busca e na conquista da verdade.

Claro que não devemos concordar com tudo e tudo aprovar em silêncio, pois a tolerância de acomodação equivale à cumplicidade com o erro. A crítica maldosa e orgulhosa, que condena tudo o que é feito pelos outros, é a negação da caridade. Mas ai de nós se suprimirmos a crítica do meio espírita! Porque é ela, quando sensata e sincera, a prática da vigilância que Jesus ensinou e Paulo exemplificou. Como utilizar o “crivo da razão”, de que nos fala Kardec, se abdicarmos do direito de pensar, que mais do que um direito é um supremo dever do espírito?

Quando Emmanuel diz “guiar-se pela misericórdia e não pela crítica”, está se referindo à crítica negativa que nasce do orgulho, e não à crítica positiva que brota espontânea e necessária do julgamento imparcial e fraterno, objetivando corrigir e portanto ajudar.

O lema “valorizar o esforço alheio” não implica a valorização dos erros e dos enganos do próximo, mas o reconhecimento dos esforços feitos por todos a favor da causa comum. Todos precisamos de misericórdia, mas a misericórdia, como Deus nos mostra em sua lei de ação e reação, não é a aprovação de erros e ilusões – e sim a correção e o esclarecimento.

Antes da nossa reunião pública, amigos da Guanabara mostraram-nos duas reportagens recentemente lançadas sobre a eutanásia. Éramos um grupo de irmãos debatendo assuntos da atualidade e o problema proposto despertou-nos a atenção. Depois de opiniões variadas na conversação em curso, o horário nos chamou para as tarefas da noite.

Aberta a nossa reunião de estudos, O evangelho segundo o espiritismo, com surpresa para nós todos, ofereceu-nos o item 28 do capítulo V, sobre a questão da morte aplicada em nome da benevolência humana.

Diversos companheiros comentaram a lição, após o que Emmanuel, o nosso caro benfeitor espiritual, compareceu com a página Eutanásia e vida.
 

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