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Chico Xavier pede licença


Resposta de Cornélio

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Reproduzimos aqui o artigo intitulado Resposta de Cornélio, publicado na coluna dominical "Chico Xavier pede licença" do jornal Diário de S. Paulo, na década de 1970.

Ele apresenta o poema Receita de acertar, ditado a Chico Xavier pelo espírito Cornélio Pires, que Herculano Pires (com o pseudônimo Irmão Saulo) comenta por meio do seu texto Problemas de parentela.

Aproveite e veja também as outras colunas que já estão no ar.


 

RESPOSTA DE CORNÉLIO
Francisco Cândido Xavier

Antes do início de nossos trabalhos, conversávamos sobre os obstáculos de que nos vemos constantemente rodeados na Terra, para solucionar os problemas que dizem respeito aos nossos deveres corretamente cumpridos. Sempre a luta em nós e fora de nós para descobrir o rumo exato, sempre algo a se mostrar por entrave ao melhor que nos cabe fazer.

Ao lado de nossas preocupações, uma carta de amigo rogando algumas palavras do nosso caro Cornélio Pires, sobre a maneira mais justa de acertar com o caminho do bem e da paz. Essa missiva motivara a nossa permuta de ideias sobre o assunto.

Iniciada a reunião, O evangelho segundo o espiritismo nos ofereceu o item 7 do capítulo IX para estudo. Depois dos comentários gerais, o nosso Cornélio realmente compareceu com a resposta ao amigo que lhe solicitara o pronunciamento.

Interessando-nos a todos a missivo-poema do nosso Cornélio, resolvemos enviá-la, na ideia de que possa ser aproveitada em nossos lançamentos.

Nota – O item citado, do livro doutrinário, trata precisamente dos problemas em causa. Os espíritos aconselham paciência e resignação na luta contra as adversidades. Um espírito escreveu: “A vida é difícil, bem o sei. Constitui-se de mil pequenas alfinetadas que acabam por nos ferir.”

 

RECEITA DE ACERTAR
Cornélio Pires

Recebi o seu bilhete,
Meu prezado Felisberto.
Você nos pede um roteiro,
A maneira de andar certo.

Difícil a indicação
De como pensar e agir.
Sabe você: cada um
Tem uma estrada a seguir.

Toda pessoa na vida
Caminha tal qual se vê;
Aquilo que me auxilia
Talvez não sirva a você.

Posso afirmar-lhe, no entanto,
Pelo “sim” ou pelo “não”:
Tranquilidade por dentro
Decorre de aceitação.

Não a inércia que enregela
O que encontra em derredor,
Mas sempre a conformação
De quem procura o melhor.

Em corpo são ou doente,
Não adote fantasia;
Trabalhe quanto puder,
Não faça hora vazia.

Se você tolera provas
Nas lutas de parentela,
Em qualquer dificuldade,
Mais vale aguentar com ela.

Pais e mães, esposo e esposa,
Afeições, almas queridas,
São provas renovadoras
Que trazemos de outras vidas.

Encargo suposto humilde?
Não se importe, nem de leve...
Seu esforço é nobre e grande
Se você faz o que deve.

Varando os mares da vida,
Amigos são nossos remos;
Se forem bons ou se são falhos,
São sempre os que merecemos.

Esqueça qualquer ofensa,
Não guarde mágoa ou pesar;
Trabalhe, sirva e prossiga,
Deixe o barco navegar...

Eis a receita correta
De acertar, seja onde for:
Mais amor e paciência,
Paciência e mais amor.


PROBLEMAS DE PARENTELA
Irmão Saulo

Bem ao gosto do poeta de Musa caipira, essas quadras de sete sílabas, em tom ao mesmo tempo de conversa jocosa e conselheira. E quem o diz é um primo e amigo do poeta, que conviveu com ele e esteve ao seu lado pouco antes da sua passagem. Conheci de perto o poeta caipira, com seu jeito bonachão de conversar e escrever que toda a sua obra atesta. E não tenho a menor dúvida em identificá-lo, nesses versos de quase conversa.

Os problemas de parentela são sempre os mais difíceis da vida cotidiana, para quem tem o senso do dever e das obrigações em família. O egoísta se desfaz deles com facilidade, mas com isso apenas adia obrigações desta existência para outras, naturalmente agravadas com os juros da indiferença comodista que representa uma infração, à lei de amor ao próximo. Aguentar parentes-problemas não é mais do que reparar os danos que lhes causamos no passado. Daí a afirmação do poeta, no tocante à parentela: “Mais vale aguentar com ela.”

Trata-se de um princípio doutrinário que nem todos aceitam. Os que não conhecem a lei da reencarnação, tão clara, em várias passagens evangélicas, rejeitam esse princípio por ignorância. Mas há os que a conhecem e nem por isso aceitam o princípio. É fácil alegar que parentes, amigos e conhecidos que nos oneram nesta vida, com suas dificuldades, são criaturas irresponsáveis. Mas convém lembrar que nada acontece por acaso. Se essas criaturas estão hoje ligadas a nós, existe para isso algum motivo sério. O espiritismo nos mostra que esse motivo provém de existências anteriores. Os que hoje pesam sobre nós, estão simplesmente cobrando afeição e atenção que lhes negamos ontem.

O remédio eficiente é o que Cornélio receita, na última quadra: "mais amor e paciência / paciência e mais amor." Por outro lado, convém lembrar que a lei evangélica de amor ao próximo supre, de maneira perfeita, a falta de conhecimento da lei de reencarnação. Embora não aceitando a reencarnação, toda pessoa de formação evangélica deve saber que o seu dever para com as dificuldades e deficiências do próximo é mandamento divino e, ao mesmo tempo, norma de conduta humana. Espiritualistas enfrentam nesse campo obrigações inalienáveis, embora em posições diferentes.

Antes da nossa reunião pública, amigos da Guanabara mostraram-nos duas reportagens recentemente lançadas sobre a eutanásia. Éramos um grupo de irmãos debatendo assuntos da atualidade e o problema proposto despertou-nos a atenção. Depois de opiniões variadas na conversação em curso, o horário nos chamou para as tarefas da noite.

Aberta a nossa reunião de estudos, O evangelho segundo o espiritismo, com surpresa para nós todos, ofereceu-nos o item 28 do capítulo V, sobre a questão da morte aplicada em nome da benevolência humana.

Diversos companheiros comentaram a lição, após o que Emmanuel, o nosso caro benfeitor espiritual, compareceu com a página Eutanásia e vida.
 

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