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Chico Xavier pede licença


Aguilhões invisíveis

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Reproduzimos aqui o artigo intitulado Aguilhões invisíveis, publicado na coluna dominical "Chico Xavier pede licença" do jornal Diário de S. Paulo, na década de 1970.

Ele apresenta o soneto Consulente difícil, ditadas a Chico Xavier pelo espírito Cornélio Pires, que Herculano Pires (com o pseudônimo Irmão Saulo) comenta por meio do seu texto Remédio fácil.

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AGUILHÕES INVISÍVEIS
Francisco Cândido Xavier

Envio-lhe uma página do nosso Cornélio. Antecedendo a nossa reunião, o entendimento fraterno desdobrava-se em torno do problema de supressão das influências destruidoras. Obsessões em forma de doenças e vibrações agressivas em forma de aguilhões invisíveis foram os temas que nos animaram a conversação.

Chamados pelo horário às tarefas espirituais, demos início à reunião. O evangelho segundo o espiritismo nos deu para estudo o item 7 do capítulo XXV. Após os comentários dos amigos a respeito, no término de nossas atividades, o nosso amigo Cornélio Pires nos ofertou o soneto Consulente difícil.

 

CONSULENTE DIFÍCIL
Cornélio Pires

Veio à sessão Nhô João do Rio Raso
Curar a obsessão que o perseguia.
Rogou cansado ao irmão José Maria:
– Socorro, irmão, na luta em que me arraso!

O guia disse: “João, qualquer atraso,
Doença, provação, melancolia,
São curados na prece dia a dia.
Mas ouça, ninguém vive por acaso.”

E prosseguiu: “Embora a fé nos guarde,
Trabalhe e sirva, antes que seja tarde.
Mais trabalho no bem, mais alegria!”

Mas Nhô João replicou, rude e vermelho:
"– Não vim pedir serviço nem conselho,
Larva do astral, você nunca foi guia!”

 

REMÉDIO FÁCIL
Irmão Saulo

A obsessão é um mal de cura difícil, mas de remédio fácil. Se os doentes aceitassem o remédio, a cura se processaria com maior rapidez. Em geral os casos de obsessão demandam longo e paciente tratamento, porque os doentes não tomam o remédio. Isso não quer dizer que se o tomassem ficariam curados em quinze minutos. As curas instantâneas de obsessões são ilusórias. Só Jesus as fazia, quando verificava que as consequências do passado estavam esgotadas. Então dizia ao doente curado: “Perdoados foram os teus pecados”, o que escandalizava os judeus, conhecedores das dificuldades do exorcismo que seus rabinos praticavam.

A obsessão tem suas raízes nas vidas anteriores. E essas raízes mergulham fundo no chão do sentimento, da afetividade. Afetos e desafetos de ontem determinam as obsessões de hoje. Criaturas que prejudicamos em vidas passadas, vêm agora cobrar o que lhes fizemos. Se estiverem doentes até hoje, aproximam-se de nós e por meio da indução, nos transmitem os seus males. Sofremos, então, o que fizemos os outros sofrerem. Não há, pois, nenhum fenômeno novo de indução a ser descoberto no espiritismo. A indução é o processo pelo qual se realiza a obsessão. Muitas vezes o obsessor consegue aproximar do obsedado um doente aparentemente estranho, para que a indução de um novo mal se precesse pela aproximação.

O remédio é fácil. Apoiados em nossa fé, temos de usar a prece dia a dia e empenhar-nos no trabalho do bem. Esse trabalho nos proporciona alegria, porque nos liberta do passado egoísta, nos tira da consciência o peso opressor que facilitava a nossa sintonia com os obsessores.

Como vemos, o soneto de Cornélio Pires é um primor de síntese. Em apenas catorze versos, o poeta caipira nos transmite uma verdadeira aula sobre obsessão.

Antes da nossa reunião pública, amigos da Guanabara mostraram-nos duas reportagens recentemente lançadas sobre a eutanásia. Éramos um grupo de irmãos debatendo assuntos da atualidade e o problema proposto despertou-nos a atenção. Depois de opiniões variadas na conversação em curso, o horário nos chamou para as tarefas da noite.

Aberta a nossa reunião de estudos, O evangelho segundo o espiritismo, com surpresa para nós todos, ofereceu-nos o item 28 do capítulo V, sobre a questão da morte aplicada em nome da benevolência humana.

Diversos companheiros comentaram a lição, após o que Emmanuel, o nosso caro benfeitor espiritual, compareceu com a página Eutanásia e vida.
 

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