Chico Xavier pede licença  
             Edição 24 | Abril de 2011


MISSÃO DOS ESPÍRITAS  •  Francisco Cândido Xavier


“Em nossa reunião pública, no início das tarefas em pauta, O evangelho segundo o espiritismo, no capítulo XX, item 4, nos ofereceu a preleção sobre a 'Missão dos espíritas'. Vários comentaristas expuseram o assunto com muita elevação, salientando os valores e as facilidades da civilização moderna que traçam mais amplos caminhos de evolução para a vida planetária em que nos achamos.

No término dos estudos, o nosso caro Emmanuel escreveu os apontamentos que lhe passo às mãos.

É uma página que nos leva a refletir profundamente quanto à necessidade das lições de Jesus em nossas experiências”.

NOTA – Como vemos nessa rápida explicação de Chico Xavier, o tema de estudo fornecido pelo Evangelho, sempre aberto ao acaso, não aparece ligado a conversações anteriores como habitualmente temos observado. É possível que Chico não tenha sido informado a respeito, pois há sempre muitos problemas que lhe tomam a atenção antes do início dos trabalhos. Mas a verdade é que o assunto corresponde a uma das necessidades mais prementes do momento espírita que estamos vivendo, numa fase de transição da vida terrena em que as perturbações psíquicas se alastram de maneira alarmante.

PROGRESSO E VIDA  •  Emmanuel


Quem lance na Terra ligeiro olhar para a retaguarda de oito lustros se espantará certamente em verificando o progresso dentro do qual a vida planetária vai marchando, aceleradamente, para o futuro melhor.

Ainda assim reconhecerá que as exigências de ordem espiritual não se alteraram muito no curso do tempo.

O homem de hoje dispõe fartamente da televisão pela qual consegue, se o deseja, contemplar de perto as ocorrências do mundo, no entanto, não possui autoconhecimento bastante para analisar-se de modo construtivo.

Inventa computadores que o auxiliam efetuando prodígios de informação e de cálculo, mas ainda não conhece, nas engrenagens perfeitas em que se expressam as leis de causa e efeito que lhe presidem a experiência e o destino.

Utiliza a energia nuclear, todavia, ignora ainda toda a extensão dos poderes do espírito.

Realiza voos espaciais aplicando os princípios da astronáutica, entretanto, é compelido a receber aulas de relacionamento humano a fim de harmonizar-se com os vizinhos que não lhe adotem o modo de pensar ou de crer.

Vacina-se contra a poliomielite, mas não consegue, por enquanto, imunizar-se contra os perigos do ódio e do ressentimento, da discórdia e do desespero.

Desfruta os recursos do subsolo, até mesmo do próprio mar, e descobre minas de nitrogênio nos céus que o rodeiam, no entanto, não sabe manejar, senão muito imperfeitamente, os valores da alma.

*

Compreendamos que a Humanidade atual efetua proezas admiráveis em todos os domínios da natureza física, mas é necessário que os nossos corações se adaptem às leis do bem que Jesus nos legou, de modo a irmanar-nos e a respeitar-nos uns aos outros, sem o que o lazer na Terra ser-nos-á fator desencadeante de tédio e deliquência e a grandeza exterior se nos erguerá em soberbo palácio – onde prosseguiremos sofrendo à mingua de amor.

 
 
RESPEITO PELOS OUTROS • J. Herculano Pires (Irmão Saulo)


Todos somos naturalmente egocêntricos, pois o egocentrismo é a base da individualidade e, consequentemente, da personalidade. A pessoa humana é um ego conscientemente definido. E é necessário que seja assim, pois do contrário não seríamos um ser, uma consciência estruturada e capaz de agir. Mas o egoísmo é uma deformação do egocentrismo, uma doença do ego. Essa doença se manifesta por vários sintomas bem conhecidos: a arrogância, a avareza, o comodismo, a ganância e, sobretudo a falta de respeito pelos outros.

A facilidade com que interferimos na vida alheia, com que xingamos, insultamos, caluniamos, julgamos os outros – é o maior flagelo que assola o mundo. Essa falta de respeito pelos outros é o fruto espinhento do egoísmo que gera os conflitos no lar, na sociedade, nas nações e na vida internacional.

Os espíritas, incumbidos da missão de restabelecer o cristianismo na Terra, são os que mais necessitam de compreender esse problema. O primeiro dever dos espíritas, no tocante ao respeito pelo próximo, refere-se à própria doutrina que nos foi dada pelos espíritos superiores através do trabalho missionário de Allan Kardec. No entanto, a todo o momento vemos espíritas que pretendem, sem o mínimo de conhecimento doutrinário exigível, reformar a doutrina e superara Kardec.

No item 4 do capítulo XX de O evangelho segundo o espiritismo temos a bela mensagem de Erasto, discípulo do apóstolo Paulo, intitulada “Missão dos espíritas”, que devia ser lida e comentada constantemente nas reuniões doutrinárias. Erasto nos adverte: “Cuidado, que entre os chamados para o espiritismo muitos se desviaram da senda! Atentai, pois, no vosso caminho – e buscai a verdade!”

Emmanuel, em sua mensagem, nos conclama ao amor e ao respeito mútuos, segundo “as leis do bem que Jesus nos legou”. Amor e respeito não querem dizer anulação do discernimento e da personalidade, querem dizer compreensão. Precisamos amar, compreender e respeitar os outros, mas sempre nos lembrando do respeito que devemos ao Espírito da Verdade e à doutrina que ele nos legou. O primeiro sinal de obsessão num espírita, num adepto da doutrina, é a sua leviandade na aceitação das fábulas que desfiguram o ensino dos espíritos do Senhor, a falta de respeito para com o Espírito da Verdade.

Artigo publicado originalmente na coluna dominical "Chico Xavier pede licença"
do jornal Diário de S. Paulo, na década de 1970.

 
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