PRIMEIRA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
Jorge Rizzini
Foi exatamente em 1936 que Herculano Pires pronunciou sua primeira conferência doutrinária.* O fato se deu por ocasião de uma concentração espírita na cidade de Ipaussu, no interior do estado de São Paulo. Assim que terminou o discurso viu aproximar-se de si, entre outras pessoas, o conhecido e estimado Pedro Ammar, defensor da pureza doutrinária. Pedro Ammar era um sírio de meia-idade, espírita desde os quinze anos. Abraçou Herculano Pires, dizendo estas palavras:
– Você é inteligente, menino! Gostei de sua palestra, mas ela teve muito de teosofia... Você precisa aprofundar-se mais na doutrina espírita...
O bom Pedro Ammar, que o autor destas linhas teve a satisfação de conhecer anos depois, na residência de Herculano Pires, era uma figura popular em Ipauçu. Sua história era conhecida dos confrades mais velhos. O pai deu-lhe uma quantia em dinheiro e mandou-o viver em outro lugar, pois não desejava ter um filho espírita em casa. Pedro Ammar pegou o dinheiro e saiu. E, semanas depois, montou no centro da cidade um pequeno estabelecimento comercial – uma loja de miudezas, a que deu o nome de “Casa Espírita”. A loja distava dois quarteirões, apenas, da residência de seu pai. Ammar, atrás do balcão, vendia de tudo, inclusive, livros espíritas – menos o que pudesse servir ao ritual católico: velas, fita azul (muito procurada pelas filhas de Maria) e filó, tecidos com que as senhoras cobriam a cabeça nas procissões e na igreja...
O conselho de Pedro Ammar foi providencial. Herculano Pires aprofundou-se no estudo da doutrina espírita. Era tal sua intimidade com os livros da codificação, que se tornou, no dizer correto de Chico Xavier, o mais profundo conhecedor da doutrina espírita.
* O que mais temo, quando falo, é fazer circunlóquios absurdos e inúteis, floreados de palavras, sem nada que de fato “auxilie” – escreveria ele mais tarde em um caderno.
Primeira conferência espírita










